No cinema trabalha-se com números astronômicos e não falo aqui só de valores de orçamento, mas sim de possibilidades. Quem redigiu bastante sobre essa noção foi o grande editor Walter Murch, que em seu livro In The Blink of an Eye chegou a formatar uma fórmula matemática que demonstrava as diversas maneiras que as imagens podem ser combinadas em um filme.
Então peguemos por exemplo o novo filme do Terrence Malick, A Árvore da Vida. Notório por filmar rolos e rolos de material que quase nunca acabam na edição final, o diretor supostamente captou quase 364.5 horas de filme para este projeto, algo que ainda não foi confirmado, mas apenas citado pelo editor Emmanuel Lubezki em uma recente matéria na Cahiers du Cinema.
É muito material. Tanto material que chega a ser quase impossível pensar em uma metodologia de trabalho para uma edição dessas.
Cena do Koyaanisqatsi
Agora, voltando ao Murch. Seguindo sua fórmula para uma cena feita de, por exemplo, 25 takes, o resultado do número de possibilidades de montagens possíveis é absurdo. Essa questão quase infinita de como um filme pode ser montado apenas demonstra o quão complexo é unir essa narrativa que chega a tela de cinema. Os 138 minutos do corte final do A Árvore da Vida que você assiste ali no cinema são a síntese mais possível de um fluxo de pensamento gigantesco. Você pode até pinçar os temas notórios da filmografia do Malick ali: a perda da inocência (o casal assassino do Terra de Ninguém, a criança que testemunha a traição e a cólera no Cinzas do Paraíso, quase todos os soldados no Além da Linha Vermelha) , a dimensão da natureza contra o homem, a discussão teológica e existencial dos personagens. Mas há mais ali. Imagens que precisam de mais uma leitura. Simbolismos que podem te levar a outras ideias e reflexões.
Portanto, o quanto você consegue realmente absorver nessa sessão de cinema ?
Claro que cada pessoa tem um tipo de recepção para cada tipo de filme, mas acredito veemente que o A Árvore (…) é um daqueles casos em que é necessário rever o filme. Talvez um dia ou uma semana depois. Ou quem em sabe em dez anos. É como tentar explicar o Koyaanisqatsi em um minuto. Ou o Stalker em uma frase. Até mesmo se contentar com apenas uma passada de olho no Cidadão Kane. O que pra mim prova o quão complicado é o formato da crítica de cinema.
Na verdade, provocando ainda mais: olhe sua coleção de filmes, quantas vezes você já os reviu?
Numa enquete rápida no twitter vi que tem gente que já reviu até 40 vezes o mesmo filme e alguns outros até confessam que assistiriam infinitamente filmes de coleções que eles gostam (vide Star Wars).
Você reviu aquele filme porque quis compreender melhor o final? Ou porque realmente adora tudo nele? O que te faz rever aquilo? É a satisfação de rever aquela história em especial ou de o quê aquele filme representa em sua vida?
Caio Blat atuando com projeções
Assisti durante o Paulínia Festival de Cinema deste ano o documentário Uma Longa Viagem da diretora Lúcia Murat. Na verdade eu não tenho competência nem responsabilidade para escrever algo profundo sobre o longa, ainda mais que não consegui ficar até o fim da sessão pelo meu trabalho no local pelo youtube.com/Cinema.
O trabalho da diretora foi em costurar um emaranhado de memórias, desde a sua história durante a ditadura (no qual ela foi presa política) ao eixo principal que é acompanhar a jornada do irmão Hélio por uma viagem ao redor do mundo. Para “compor” esta narrativa a diretora se dispõem das cartas enviadas pelo irmão durante seu período no exterior, onde elas são lidas e interpretadas pelo ator Caio Blat. Além disso, ela utiliza imagens de arquivo da época, complementando com as entrevistas feitas com o irmão hoje em dia.
O curioso era ver o quanto a diretora conseguia se aprofundar nas questões existenciais da fuga do irmão pelo mundo e o quanto ela se resguardava de expor muito de sua família. É talvez por ficar nessa corda bamba, que o documentário (até o momento em que tinha assistido) não havia alcançado uma verdade absoluta daquilo tudo. É claro que conseguimos enxergar a sensação de liberdade total do irmão Hélio por suas viagens, mas também apenas tocamos na superfície de seus problemas psiquiátricos e de quais outros fantasmas o perseguiam.
Novamente, este é apenas um comentário superficial da coisa. O mais interessante mesmo foi a tentativa de montar esse quebra-cabeça a partir de diversos materiais levantados pela diretora, misturando linguagens e texturas de diversas qualidades. Acho que remontar narrativas do passado, baseadas em fatos pessoais, têm essa cara de mistureba visual.
Não deixa de vir a mente, por mais piegas que seja, o documentário Meu Melhor Inimigo, do diretor Werner Herzog. Nele há uma tentativa de reconstruir a persona do ator Klaus Kinski, buscando entender esse ator a partir da relação dele com o diretor alemão que assina o documentário.
Codex é um podcast semanal apresentado pelo Jean Snow.
Morando no Japão, esse designer canadense aproveita para falar de 10 novos (ou velhos) sons que tocam no seu player. Quase sempre ele tenta dar um background legal no material apresentado, onde as vezes pipocam composições diferentes de artistas locai ou pode faz algum especial temático (edição de Natal, Jazz, etc).
O que mais chamou atenção na verdade foi o capricho que Jean tem em seus podcasts e na organização do material. A página separa cada episódio com a marca do programa e com um cor da paleta que ele têm utilizado. Além disso, sempre contém um texto explicativo do conteúdo do podcast, além da tracklist detalhada. Eu nem sou um grande seguidor de podcasts, sendo que quase sempre vou nos mais “documentais” como do Freakonomics e o Meet The Filmmaker, mas esse me ganhou pelo cuidado ao espectador.
o coletivo do dublab
A última vez que vi um cuidado assim foi com o Dublab, que, graças a ajuda de fãs ao redor do mundo, tornou-se uma verdadeira rádio de respeito que já alcança outros patamares com a sua programação.
Então fica aqui a pergunta para vocês: quais outros podcasts / web radios que vocês conhecem por aí tem um “toque” diferente?
Como será que funcionam os misteriosos mecanismos da inspiração?
Todos nós, uma hora ou outra, buscamos um norte em trabalhos anteriores aos nossos. Isso não se aplica apenas aos artistas de plantão. Não basta se contentar apenas com a opinião de um colega de trabalho ou de alguém de seu círculo de amigos. É necessária uma aprovação maior. Um selo definitivo de qualidade que acalme nossa alma.
Portanto: seria vantajoso se tivéssemos um passe para consultar um autor que você respeita, certo? Mesmo que ele nem mais esteja vivo?
Gil e seu drink no passado
Meia-Noite em Paris retoma temas conhecidos da fase prolífica de Woody Allen nos anos 80, quando lançou obras como Zelig e A Rosa Púrpura do Cairo. Mesmo espelhando a sua personalidade (como de praxe) em um personagem, nesse caso Gil (Owen Wilson), Allen parece ser o mais sincero possível com os seus espectadores ao narrar a história deste escritor que se perde pelas ruas de Paris à meia-noite, mergulhando na cena boêmia e artística da cidade nos anos 20.
Com um tom diferente do esperado (se lembrarmos que seu último lançamento foi no pessimista Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos), a história aqui brinca com as dimensões da ilusão de Gil, mas também tem um apelo amplo que pode servir para outras gerações. Afinal, Gil é um fã de Paris, da mesma forma que existem fãs de Guerras nas Estrelas por aí, ou até fanáticos por futebol aos milhões no Brasil.
O amor que Gil tem por seus autores e por sua fantasia é o mesmo que todos temos em nossas inspirações. Apesar de nem todos podermos ter essa chance de consultar um ídolo, é sempre bom ainda ter um pouco de esperança por aí, como Allen já havia ensinado.
Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris) – Direção: Woody Allen, Com: Owen Wilson, Rachel McAdams
Entrou em cartaz no último dia 17 de Junho.
Eu gostava de Pedro The Lion, porém não era nenhum fã de carteirinha. Acho que precisou o seu vocalista e frontman, David Bazan, romper com a banda para começar a se interessar um pouco por sua música. A história conturbada que divulgam por aí diz que Bazan era um cristão praticante, porém em algum momento da última turnê do Pedro The Lion, ele perdeu todas as bases de sua fé e começou a questionar tudo o que tinha aprendido até aquele momento.
meu nome no encarte junto dos outros "produtores executivos"
Nunca criei nenhum vínculo religioso com os temas de Bazan, mas gostei (e muito) quando o seu primeiro álbum solo, Curse Your Branches, saiu em 2009. Mais interessante ainda foi ver como o cantor fez para promover um “preparo” para a gravação de seu material, adotando um sistema de “house shows” (shows em casa) selecionado a partir de fãs que se cadastravam em seu site oficial. Foi uma maneira dele praticar suas composições em ambientes intimistas, sem as conturbações e irritações que apresentações em bares podem trazer.
Antes de partir para a turnê já com a banda inteira, a van do pessoal pifou de vez e para arranjarem uma grana extra para o aluguel ou compra de outro veículo, eles decidiram lançar uma série camisetas com a estampa “Eu ajudei o Bazan a comprar uma van”. A edição limitada esgotou-se em menos de uma semana e sim, ele conseguiu arranjar uma van.
A última empreitada coletiva do músico ocorreu no fim do ano passado, quando ele propôs aos fãs que investissem no álbum novo, para finalmente conseguir finalizar a mixagem. Para tal, ofereceu um envio de uma camiseta com a estampa (pasmem) “Eu Ajudei o Bazan a Gravar um Álbum”, uma reserva do pedido do CD e o seu nome incluído no encarte do mesmo.
Como petisco, algumas semanas antes do lançamento do álbum “físico”, os fãs receberam um link para baixar o álbum em MP3 numa compressão boa, evitando pegar aqueles álbuns vazados com ruídos misteriosos e irritantes.
No fim das contas, ao receber o álbum físico em casa, ficou aquela sensação de trabalho cumprido e a vontade de participar de mais projetos deste tipo. Algumas plataformas de crowdfunding já funcionam no Brasil, como já citamos em um post anterior, então bora procurar outros projetos interessantes para ajudar.
Para os que duvidam deste sistema: ainda vale mais a pena brigar por um desconto de um site de compra coletiva que te oferece um almoço às cinco da tarde?
O Henrik José é um desses mistérios da música. Conforme conversamos no ano passado, o artista sueco insiste em distribuir suas composições de forma gratuita por diferentes netlabels, espalhando seus EPs e singles universo afora.
capa do novo single do Henrik José
Acompanhar a sua carreira torna-se então uma surpresa anual, já que nunca se sabe quando uma nova faixa pode ser divulgada. E hoje foi um desses dias em que você abre a sua caixa de e-mails e recebe a notícia que o novo single Photo Album está disponível para download.
O single é composto da faixa-título, uma viagem progressiva que lembra os bons momentos do Animal Collective, e também da música Den Andra Handen, cantada em sueco e de uma sensibilidade conhecida pelos fãs do cantor.
Aparentemente, Photo Album fazia parte de uma vídeo-arte criada pelo artista há 8 meses atrás.
Continua sendo engraçado o descompromisso que o Henrik tem o status quo normal da indústria fonográfica. Talvez ele busque aí uma “bolha” de segurança melhor para produzir sem intereferências ou pressões de produtores ou orçamentos bizarros.
Talvez ele não queira virar uma piada de si mesmo. Pra isso, já basta o Coldplay e suas misteriosas composições.
Photo Album from Henrik José on Vimeo.
O ótimo Bruno Yutaka Saito dissertou no ano passado sobre os “atores físicos” que faziam parte de um certo bloco de artistas que imprimem em seus personagens características físicas de suas próprias vidas. Daí surgem personagens como do Mickey Rourke em O Lutador, entre outros.
Um Novo Despertar talvez se enquadre em uma nova categoria desta filosofia. Vamos lá, por fins práticos, a chamaremos de filmes que contém “papéis terapêuticos”. O filme foi produzido em um “hiato” por entre as polêmicas do ator Mel Gibson, depois de seu surto racista e antes da acusação de agressão física contra a sua ex-namorada Oksana Grigorieva.
É necessária muita habilidade para sustentar uma trama em que o personagem principal hipoteticamente projeta a sua personalidade para um boneco de pelúcia, mas o ator consegue manter a dose certa pelos 91 minutos de filme. Mais interessante ainda, é ver como a voz gutural do boneco – que mais se assemelha a de um Ray Winstone engasgado – não passa de uma variação tonal da própria voz de Gibson, que traz de volta todo o seu sotaque australiano para o seu papel como o atormentado Walter Black.
a atriz e diretora jodie foster, mel gibson e o castor
Casos como este não são tão raros, mas quase nunca chegam ao conhecimento público (ainda mais que às vezes eles realmente não importam na divulgação do trabalho). É notório o fato que o ator William Holden estava no ápice de seu alcoolismo quando filmou o Meu Ódio Será Sua Herança, de Sam Packinpah. Ou que o diretor Lars Von Trier utilizou-se de sua depressão para trabalhar no roteiro de o Anticristo. Ou seja lá quais fantasmas atormentavam Heath Ledger quando ele atuou em O Cavaleiro das Trevas.
Não que o filme então seja uma redenção para Gibson. Longe disso. A direção enxuta de Jodie Foster convém no necessário para trama, mas também patina em uma indecisão de gêneros e tons para o filme. Alguns momentos são de humor negro escancarado (digamos que há certo humor na tentativa de suicídio de Black), outros de puro drama familiar (o filho que se recusa a falar com o pai) e alguns de tensão psicológica (as sequências de confusão mental de Black).
Gibson não está oficialmente de volta, ainda mais que ele foi proibido de gravar uma ponta no Se Beber, Não Case parte II, mas seu papel como Walter Black pode entrar com segurança e respeito em seu filmografia de justiceiros e rebeldes indomados.
Um Novo Despertar (The Beaver) – Direção: Jodie Foster, Com: Mel Gibson, Jodie Foster
Entrou em cartaz no último dia 13 de Maio.
No próximo dia 28/05 a cidade de São Paulo receberá não apenas o Volume 8 do Pecha Kucha Night mas também o evento global Inspire Japan.
No dia 11 de março, o Japão sofreu com uma catástrofe natural que chocou bilhões de pessoas ao redor do mundo. O terremoto e o Tsunami destruíram 400 km de costa, matando mais de 10.000 pessoas, deixando 400.000 pessoas desabrigadas e iniciando um impasse nuclear que ainda não foi resolvido.
cartaz feito pelo designer Guma
O país tem inspirado designers há gerações, e é onde o “Pecha Kucha Night – 20 imagens x 20 segundos” nasceu e cresceu, motivando designers a se juntarem em mais de 400 cidades ao redor do mundo para compartilhar sua criatividade em mais 1.000 eventos todos os anos.
O Japão sempre nos inspirou, e agora chegou nossa vez de inspirá-los.
Participe desta edição especial “Pecha Kucha Night – Inspire Japan”. Vamos todos nos juntar e mostrar para o Japão que o mundo criativo está pensando neles, que nem tudo está perdido, e que há uma possibilidade de se levantar e reconstruir, mesmo em vilarejos e cidades que foram completamente destruídos. Com criatividade e paixão, tudo é possível.
Na programação, Lounge com DJ, mostra de vídeos japoneses, Oficina de Origami, Workshop de Furoshiki, Demonstração de Shodô, Live Drawing com ilustradores de mangá, degustação de culinária típica e outros.
Além disso, esta edição do Pecha Kucha Night conta com a participação de palestrantes das mais diversas áreas, mostrando como seu trabalho e suas vidas foram inspiradas pelo Japão.
Palestrantes:
- Marcella Tamayo | www.marcella-tamayo.com
- Mario Narita | www.naritadesign.com.br
- Fábio Yamaji | www.skerzocinema.com
- Cruz Vermelha
- Lucas Momosaki | www.behance.net/ya_su
- Eduardo Shiota | www.eshiota.com
e muito mais!
Serviço:
Pecha Kucha Night – Inspire Japan
Local: Senac Lapa Scipião
Endereço: R. Scipião, 67 – Lapa – São Paulo
Horário: das 13h30 às 18h
Entrada franca
Esta semana finalmente entrou em cartaz O Caminho da Liberdade, de Peter Weir, após o usual delay entre os cronogramas de estreia do exterior com o Brasil.
Para alguns que já se informaram com antemão, o filme narra a história de um grupo de fugitivos de uma gulag siberiana, que percorram mais de 6500 km a pé da Rússia até a Índia. E é isso que vocês precisam saber por enquanto.
Weir é notoriamente conhecido por ter um processo de trabalho de pré-produção perfeccionista, calcado na criação mais rica possível de vestuários, maquiagem, cenários e etc. É só lembrar do belo exemplo de seu último filme, O Mestre dos Mares, que continha belíssimas sequências marítimas, além de um soberbo trabalho de sound design que tornou-se referência na área cinematográfica.
a luta pela sobrevivência desde o frio ao calor mais intenso
Aqui neste caso, Weir pareceu lidar com uma faca de dois gumes: ou abraçava, novamente, as convenções do cinema popular; ou flanqueava pelo cinema mais existencial ou artístico que costuma vir com o filme de estrada. O complicado processo de misturar os dois talvez tenha criado esta bolha por onde O Caminho da Liberdade flutua.
O filme contém belas locações, desde a Bulgária até o Marrocos, que mostram o tal preciosismo técnico e estético do diretor, fatores que entregam os melhores momentos do filme (incluindo aí o trabalho de maquiagem indicado ao Oscar). Aqui cabe a máxima da “busca por imagens adequadas” que o Herzog tanto fala: Weir filma suas locações com uma responsabilidade incrível, ainda mais quando vemos o grupo esconder-se em uma espécie de caverna ainda na Sibéria. Mas também sente-se desconfortável com os blocos de “ação” da história: a própria fuga é apresentada de forma nebulosa e seu ritmo não conversa com quase todo o andamento do resto do filme.
O bloco de atores também oscila em sua resposta ao roteiro: Colin Farrell usa o suficiente para manter um aura sinistra em seu Valka, enquanto o queridinho Jim Sturgess não parece carregar o carisma para ser o líder Janusz. Ed Harris, que já havia trabalhado com o diretor em O Show de Truman, só consegue apresentar novas camadas de seu “Senhor Smith” uma vez que o filme retoma seu andamento compassado, ainda mais quando a talentosa Saoirse Ronan surge com a sua Irena.
O Caminho da Liberdade no fim parece um especial de domingo do National Geographic (que é um dos produtores do filme) só que extremamente bem realizado por um diretor de calibre. A necessidade primordial aqui era de contar esta história da melhor forma possível, mesmo que os relatos do livro de Slavomir Rawicz sejam questionados em sua veracidade. Talvez a missão de Weir realmente tenha sido bem cumprida neste ponto, mas a falta de dados críveis do material de base ou até do roteiro deixou o filme perdido por entre categorias (e estilos) do cinema.
É uma coisa engraçada esse tal de cinema: parte-se de uma história baseada em fatos reais, filma-se da forma mais real possível, descobre-se que a história era de mentira. Tudo aquilo então foi uma miragem que agradou alguns, mas enganou outros.
O Caminho da Liberdade (The Way Back) – Direção: Peter Weir, Com: Colin Farrell, Ed Harris, Jim Sturgess e Saoirse Ronan
Entrou em cartaz no último dia 13 de Maio.
qual livro da sua biblioteca tem um trailer?
Há um tempo alguns autores tem lançado seus livros acompanhados de um trailer. Não bastasse o lançamento físico do livro, como também a versão digital, agora alguns ainda instigam os leitores com um petisco das páginas de seu próximo trabalho.
Este ano mesmo o autor americano Paul Auster lançou o seu novo livro, Sunset Park, acompanhado de um trailer que misturava cenas inspiradas na história com o escritor lendo passagens do livro em um estúdio. Já para o livro The Worst-Case Scenario Pocket Guide: Breakups, de David Borgenicht, foi feita uma animação com pictogramas e infográficos que dava um gosto das dicas de como terminar um namoro com muito estilo.
Recentemente, a editora Quirk Classics não só subverteu o conceito de “revisar um clássico” como abriu as portas para o mash-up literário: aquela coisa de misturar um clássico da Jane Austen com uma invasão de mortos vivos. A grande jogada deles foi também de criar trailers para suas obras, sendo que o mais recente é para o The Meowmorphosis, um spin no A Metamorfose de Kafka.
Por que será que o leitor precisaria de um apoio visual para comprar um livro?
Existem infinitas respostas para isso, mas é interessante apontar certas coisas:
1. Boa parte destes trailers são transmitidos na internet e não em canais de tevê. Quando surgem na TV, são mais propagandas e não trailers.
2. As pessoas teimam em querer enxergar algo antes de ler. Ou até mesmo em ter a voz guia de seu autor na leitura. O que não é sempre ruim, pois alguns autores transmitem seus ritmos ou andamentos pelas leituras. Nos EUA, as turnês de lançamento de livros quase sempre incluem essas leituras abertas.
3. Talvez a velocidade em que livros são transpostos para a tela tenha mudado a forma de pensar nessas divulgações. É só ver o quão rápido os livros de Stieg Larsson foram adaptados ao cinema na Suécia (e já chegarão as telas americanas ainda este ano).
Dê uma olhada na sua estante: qual dos seus livros já tem um trailer?